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Por quê tantos médicos indicam cesáreas?

A cesariana pré-marcada, sem indicação clínica, isto é, sem um motivo que signifique evitar um risco de vida ou um risco de dano grave à mulher ou ao bebê, está ficando cada vez mais comum no Brasil. Os seus índices são alarmantes na rede pública e mais ainda na rede privada. A Organização Mundial de Saúde indica que o percentual de cesáreas realmente necessárias não ultrapassa o índice de 15% (quinze por cento). Nossos índices ultrapassam muito este número chegando na rede privada, em algumas maternidades, a mais de 90% (noventa por cento).

A cesariana é uma cirurgia de grande porte e toda cirurgia de grande porte só deve ser feita para evitar um mal maior. Quando indicada por uma real necessidade é uma maravilha.

Assim, se tudo está correndo bem durante a gestação e durante o trabalho de parto não há racionalmente porque escolher os riscos de uma cirurgia de grande porte.
Do ponto de vista do médico, indicar ou induzir a mulher a uma cesárea desnecessária é uma atitude contra a ética médica. No caso de alguns profissionais pode ser uma atitude de comodismo pois a cesárea pré-marcada é um procedimento que fica sob seu controle quanto a dia, hora, etc facilitando sua própria vida.

Mas, do ponto de vista do profissional também pode ser uma escolha emocional inconsciente. Em geral, quando converso com médicos e pergunto como foi o primeiro parto a que eles assistiram, eles contam que foi na rede pública, em geral, um parto via vaginal difícil, com a mulher sofrendo muito, gritando, desesperada.

Quando pergunto mais detalhes vem a história do atendimento a uma mulher que está vendo o médico pela primeira vez na vida, sem permissão de um acompanhante que a conforte, destituída de sua identidade, reduzida a um número de leito e que  portanto só pode estar desesperada. Este primeiro parto causa, em geral, uma impressão emocional forte, que fica inconsciente levando o médico a temer o parto vaginal. Já a primeira cesárea que ele presencia é a de uma mulher que está tranquila, sem gritar. Estas primeiras impressões podem fazer um grande efeito inconsciente no médico para levá-lo a escolher a cesárea como o parto ideal. 

Mas, do ponto de vista racional o parto cirúrgico só deveria ser escolhido como o mal menor, pois comporta os riscos de toda cirurgia de grande porte. Quando é pré-agendado sem esperar a entrada em trabalho de parto o risco de imaturidade fetal e de o bebê nascer com problemas respiratórios e necessitar de UTI é grande.

Muitos médicos ainda têm também o tabu de que o parto vaginal prejudica a vida sexual da mulher, afrouxando a musculatura do períneo e levando-a à necessidade de uma cirurgia de períneo posteriormente. Mas, na verdade o peso do bebê e do útero com a placenta, água e cordão sobre o períneo durante toda a gestação é que pode fazer o períneo ceder.  E isto se a mulher não fizer exercícios para o períneo, que são muito fáceis: contrair e soltar a região do ânus e da vagina várias vezes por dia.  Assim, tanto quem tem cesárea quanto quem tem parto vaginal pode ficar ou não com o períneo flácido, dependendo de se faz ou não exercício para fortalecer esta musculatura.

Há decerto muitos outros motivos, mas aqui quis abordar mais esta escolha  inconsciente pelo medo do parto normal, vindo lá do inicio da faculdade de medicina, quando o hoje doutor ou doutora era jovem e ficou impressionado negativamente pelo parto normal. Se, entretanto entrarem em contato com os movimentos de parto humanizado, com as tecnologias leves de alívio da dor, verão que há partos vaginais tranqüilos e até orgásticos.

Há muitos médicos que alegam que a própria mulher é que solicita a cesárea. E é verdade. No próximo mês veremos porque tantas mulheres ainda preferem cesárea pré-agendada, apesar de todos os riscos.

2 abril 2012